#771

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Karin Mamma Andersson

getting used to someone loving me without imposing on me
is the best thing going on in my life right now

getting used to giving myself the patience
i would have with anyone else
is a challenge i enjoy taking

getting used to reclaim my heart
and including it in everything i do
is a way of saying that there are two relationships:
there’s me&her. but me&you – we’re together too

And all my earthly cares might fade away If you hold me in your warm hand

#770

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paul garfunkel

Paul Garfunkel

“ninguém realmente gera ou ‘encontra’ a felicidade; ela é como o silêncio: a única forma de encontrar o silêncio é diminuindo o ruído. a única forma de viver a felicidade, e sempre lembrando-se de que ela é efêmera, é diminuindo o ruído que bloqueia a felicidade. felicidade não é conquistar algo externo, é conhecer e purificar o interno.”

meu professor de yoga
(e também a dádiva da sincronicidade)

if you try sometimes you might find you get what you need

#768

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Maureen Gallace

  • 1

uma das minhas técnicas favoritas para lidar com uma situação é escrever cartas. já escrevi cartas para: meu pai, minha mãe, amigas, minha namorada, pessoas que morreram, meu gato, pessoas que nunca mais queria ver, para o meu eu do futuro e meu eu do passado, para sentimentos específicos, partes do corpo e imagens que apareceram em sonhos.

raramente enviei/entreguei essas cartas, no caso de pessoas reais.

essa técnica, assim como todo o propósito terapêutico, não é sobre o outro e sim sobre nós mesmos. é uma forma de organizar os sentimentos e de certa forma comunicá-los sem qualquer restrição (já que ela não será enviada). no meu caso, é uma forma excelente de colocar a raiva para fora sem enfrentar as repreensões. pela minha dificuldade em expor esse lado, e também em entender que nem tudo precisa ser colocado para a outra pessoa, a carta permite uma válvula de escape que raramente encontro em outros métodos de externalização dos sentimentos. também favorece envolver a escrita, com a qual me identifico.

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Maureen Gallace

  • 2

nos últimos dias, comecei a montar um quebra-cabeças. tenho refletido um pouco sobre o que isso significa nesse momento da minha vida – aquela coisa de metáforas e tal. é claro que muita coisa não se encaixa: tento e tento e a peça certa não é encontrada. têm muitas peças ao meu redor, são várias tentativas. enquanto monto o quebra-cabeças, literal ou não, sinto a falta. fico nessa filosofia de que o que importa é o caminho, o tempo que vou levar pra montar isso, a paciência em testar, a satisfação breve quando uma pequena porcentagem da grande imagem se faz conhecida.

minhas apostas profissionais parecem um pouco assim: há uma pequena referência (a arteterapia), e cerca de 800 opções que preciso tentar encaixar nessa proposta. algumas não me agradam e eu me forço a fazer (como montar aquela área verde em que todas as peças são semelhantes), outras me agradam mas não me sinto capaz de levar em frente (começar pelo castelo e dali progredir para o resto da imagem), e aí há outras que me deixam completamente perdidas pois não sei por onde começar (você já montou um céu azul?). todas envolvem um desafio interno que preciso superar para chegar mais próxima de uma totalidade, tal qual olhar para todas aquelas peças jogadas no chão e a noção de que podem formar uma só coisa.

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Maureen Gallace

  • 3

é um momento mais introspectivo. nem sempre abro as cortinas da sala pra deixar a luz entrar; me incomoda o barulho lá de fora – as pessoas passando e deixando rastros. muito movimento me deixa inquieta – como se eu precisasse o tempo todo me preparar e antecipar para algo que está por vir, algo é esperado de mim: uma concordância, uma verbalização, uma autorização, um planejamento. muitas pessoas me perguntam “como não me sinto sozinha” nesse apartamento grande ou por tantas horas sem sair ou por tantos dias sem visitar meus pais etc., mesmo nas férias. nada disso me incomoda, pra ser sincera. e nas férias há menos cobrança para ser uma pessoa no mundo.

tenho me questionado se preciso (ou se quero) ter um impacto no mundo, na vida das pessoas, por meio da arteterapia ou se conseguiria me permitir (e me satisfazer) com apenas encontrar o meu caminho, me tornar uma versão cada vez melhor de mim mesma. e eu sei que também há uma possibilidade de só me tornar uma versão melhor de mim mesma tendo um impacto na vida das outras pessoas por meio da arteterapia.

por isso escrevo. para tentar nomear e dar sentido. para visualizar os monstros, interagir com as dúvidas, mapear os problemas, conversar com as possibilidades. tudo isso é minha companhia e por isso não me sinto sozinha.

_ e só para finalizar com recomendações culturais, que também fazem com que me sinta menos sozinha: leiam Miranda July, ouçam Lorde, assistam The Love Witch e Big Little Lies. a Maureen Gallace vocês já conheceram.

she’s so hard to please but she’s a forest fire

#767

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“É o fenômeno às vezes denominado como alienação de si mesmo. Nesse estágio avançado, nós não atendemos mais um telefonema, porque alguém pode querer algo; que nós poderíamos dizer não sem nos afogarmos em uma autorecriminação é uma ideia inconcebível. Cada encontro demanda demais, despedaça nossos nervos, suga nossa vontade e o espectro de algo pequeno como uma carta não respondida gera uma culpa tão desproporcional que nossa sanidade se torna o objeto de especulação de nossos conhecidos. Para dar às cartas não respondidas seus devidos pesos, para nos libertar das expectativas alheias, para nos recuperarmos para nós mesmos— é onde reside o grande e singular poder do autorrespeito. Sem ele, eventualmente, se descobre o final do parafuso: você corre para se encontrar e encontra ninguém em casa”.

Joan Didion

#765

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uma das melhores cenas de uma de minhas séries favoritas tem a seguinte fala: “there’s a club (…) and you can’t be in it ’till you’re in it” (o contexto é outro etc. – still with me? great).

eu me sinto mais ou menos assim quando converso com alguém que faz terapia. há um contrato não-verbalizado entre a gente. mas há também alguns diálogos que guardo. uma amiga certa vez me disse “às vezes me sinto melhor do que os outros, os que não fazem terapia. é arrogância da minha parte?”.

eu não lembro o que respondi, exceto que disse que não. e mantenho essa resposta. acho que até pode ter arrogância envolvida, mas não é o principal aqui. me fez lembrar elogios que recebo sobre quão matura eu sou ou como sou calma ou segura ou empática. não é que eu não enxergue essas ou outras coisas em mim; e nem que não queira receber/aceitar elogios.

mas é que as pessoas olham pras conquistas das outras como um projeto concluído que vai simplesmente do ponto A ao B (independentemente de fazer terapia – não é a esse clube que estou me referindo no texto, embora até agora esteja parecendo).

estava conversando com a minha mãe. ela fez uma reeducação alimentar e perdeu alguns quilos. está bem consigo mesma, satisfeita com sua conquista, feliz por ser saudável etc. e ela me disse: “não sei, às vezes os comentários que as outras pessoas fazem parece inveja… como se eles não quisessem me ver bem. será que é só impressão minha?”. mais uma vez disse que não. e continuei.

“acho que a grande questão não é a inveja de você ‘estar bem’. o ponto é você ter achado algo que te dá energia, que te fortalece. e as outras pessoas não compreendem isso. existe algo que move cada um de nós, eu sinto isso com a terapia, você na academia, outros na igreja ou sendo professor ou com o veganismo ou a arte ou a literatura. a questão é encontrar a sua pira – e então usá-la para abrir cada vez mais caminhos do autoconhecimento e nas interrelações. eu acho que essas pessoas não acharam isso ainda pra elas mesmas e não conseguem processar que você encontrou a sua; então surgem comentários assim, que não soam genuínos para você”.

“there’s a club (…) and you can’t be in it ’till you’re in it”, o clube ao que me refiro é o das pessoas que encontraram algo que as preenche de verdade, que as transforma. eu não comparo as atividades, já que eu não conheço o percurso do outro (e até certo ponto jamais vou conhecer).

e eu sei também que ninguém vai se aprofundar muito no meu processo – nas horas fazendo anotações sobre meus sentimentos e medos ou desenhando-os, no investimento financeiro da terapia, no deslocamento ou no tempo de espera, na busca de livros complementares, no esforço de lembrar e interpretar os sonhos, mas acima de tudo na vontade e determinação de enfrentar lados não muito positivos ao mesmo tempo em que fortaleço outros que precisam ser ouvidos.

embora eu já tenha ouvido coisas como: “terapia não funciona”; “você está viciada em terapia” ou “você gasta demais com isso”, eu aprecio quando reconhecem a minha resiliência ou a minha visão de mundo, coisas que conquistei por meio de atividades como as que mencionei anteriormente. eu só gosto de deixar bem claro que eu não nasci assim e nem magicamente ganhei essas qualidades. eu trabalhei, e muito, para identificá-las ou desenvolvê-las.

desejo muito que as pessoas tenham vontade de descobrir as suas piras – acho até que o grande objetivo da vida é esse. e aí entram pra esse clube único de pessoas que fazem algo para não viverem sendo sempre as mesmas.

amar é como abrir uma janela