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sobre bagagem

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nessa semana eu estive em contato com algumas verdades desagradáveis sobre o quanto os meus pais influenciaram o meu inconsciente; visões, projeções e idealizações que a gente acaba pegando sem se dar conta direito e que causam tanto sofrimento. é o que a gente observa quando é criança e então normaliza. ou então são aquelas coisas que dizem pra gente e aí limita como enxergamos o universo. pois bem. tomei consciência – e agora? só de pensar na trabalheira que vai dar pra desconstruir isso eu fico cansada. mas não tem jeito. the only way forward is through. reflexões:

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  • comportamentos tóxicos que se confundem com amor: eu observei por anos minha mãe se anular para agradar o meu pai/meu pai exigir que minha mãe se anulasse para que o agradasse. isso inclui (da parte dela) deixar de fazer coisas, tolerar abuso verbal, restaurar a paz pedindo desculpas por algo que não fez, agir mais como mãe do que como companheira, etc.
  • romantização da codependência vs. usar o outro por conveniência: creio que o primeiro já foi (pelo menos com mais intensidade) o modus operandi da minha mãe, enquanto o segundo é muito praticado pelo meu pai. são extremos; são desequilíbrios; e que eu presenciei bastante quando criança.
  • função social – ouvido de penico, também conhecido como “deixa só eu jogar todas as minhas preocupações em você”: é preciso diferenciar aqui o “quero compartilhar uma bad” e “preciso de ajuda para processar um momento difícil” do “estou te responsabilizando por tudo de ruim na minha vida e espero que você resolva isso aí”, que eu também chamo de “quero caçar treta”. enfim. foram várias expressões diferentes e acho que deu pra entender. meu pai é campeão olímpico dessa categoria pois já responsabilizou e ainda responsabiliza a minha mãe por todos os fracassos da vida dele. deus me guarde disso, e que a terapia me dê a sabedoria para que, caso eu encontre, que eu saia correndo.

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os efeitos em mim: não estou vivendo nenhuma dessas situações no momento (e agradeço e reconheço a felicidade que é isso). só que rola um contraste enorme entre as coisas que eu aprendi como “normais” quando criança e as coisas que agora sei serem, pelo menos, saudáveis. e às vezes é um processo doloroso aceitar que seu local de origem, sua referência de relacionamento, é tão distante do que você realmente quer e busca. e a gente sabe que quebrar esses padrões é muito complicado.

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tem sempre a questão social também: a imagem dos meus pais é a mais forte (e relevante) na hora de entender a minha visão, mas também é preciso levar em conta tudo aquilo que a gente vê por aí. essa ideia de que amor é largar tudo pelo outro, é colocar o outro sempre em primeiro lugar, é pensar no outro o tempo todo, é sentir frio na barriga o tempo todo, é nunca dizer “não”, é agir por impulso, etc. e não preciso nem dizer que, quanto mais terapia eu faço e quanto mais eu vejo que isso aí é mais paixão e projeção do que qualquer outra coisa, mais as coisas ficam claras.

só que tem um outro lado, também: eu me sinto muito fria, como se eu devesse sentir e ser dessa forma pra poder encaixar no padrão de amor que a gente vê por aí. às vezes me pego de madrugada questionando: mas será que eu não PRECISO ser mais impulsiva no amor? [resposta: não, eu sofro pra caralho]. e não é saudável isso de querer colocar quem se é em caixinhas de expectativas sociais. também tô processando isso. tô aprendendo. quero aprender. (lembrando que minha função principal é Pensamento rs)

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resumo: a gente tá sempre exigindo coisas do outro que muitas vezes não sabemos o que é ou que nós mesmos falhamos em nos dar. tomar decisões baseadas apenas no que a gente quer de verdade é o mais importante. os exemplos acima são só alguns, e mais relacionados com a minha vivência.

certa vez eu li, tumblr provavelmente, que o ideal é encontrar alguém que pode viver sem você, mas que não quer viver sem você. e eu acho que isso diz muito sobre uma relação – pra que não se torne algo poluído e um jogo de inseguranças. todos temos nossos medos, mas saber de onde eles vem, ser aberto sobre eles e lidar diariamente já ajuda.

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ninguém deve ser responsável por nada na sua vida a não ser você mesmo. e é algo que pode ser assustador, mas é libertador também.

The seed of all this indecision isn’t me
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