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kill yr idols

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recentemente tive uma decepção com uma pessoa que admiro muito. a parte da decepção, creio, não é o principal. pessoas nos decepcionam, opiniões divergem, expectativas são quebradas, surpresas em tomadas de decisão são muito comuns. acho que o que me pegou mesmo foi a justificativa para ter se envolvido com algo. é o que não me entra na cabeça ainda – e talvez nunca entre.

as pessoas, é claro, são livres para escolher e ela não me deve satisfação alguma. mas eis que no momento em que me convida para fazer parte, em que me implica na história, a situação é outra. pois se há proposta, há desejo de relação. e se há desejo de relação, aceitam-se as consequências: o diálogo, a comunicação. me motivou ter falado pra ela o que sentia em relação à decisão graças ao meu sentimento de que, se não o fizesse, estaria sendo omissa.

a minha raiva veio (e ainda não foi embora) no momento em que foi me dito que o meu ‘não’ para o convite estaria enraizado no medo. me parece um pouco simplista analisar as coisas dessa forma, ainda mais considerando que a proposta em questão envolve, sim, um risco. e aí comecei a me fazer algumas perguntas sobre o medo:

é medo quando não temos garantia e não queremos arriscar? ou é prudência? é medo quando algo dentro da gente diz pra não confiar? ou é intuição? e isso considerando todo o meu histórico de deixar a minha vida na mão dos outros e me doar e fazer tudo. e confiar que eles vão me recompensar depois. pois venho treinando justamente o contrário, de não ser ingênua. isso é ter medo? ou é se preservar e ter discernimento?

eu sei da minha tendência de me guiar pelo pensamento e pela razão. também sei o quanto me prejudica querer as coisas claras e certas quando o mundo é, em sua essência, incerto. o mínimo que peço, e não acho que seja muito, é que respeitem as minhas particularidades como um todo, e não como peças específicas de algo que explique as minhas decisões de forma estereotipada.

pareceu-me algo como um diagnóstico: disse não, pois não está preparada. ou: disse não, pois não conquistou ainda a certeza dos puros; não desvendou o segredo da vida etc. ficou pra mim essa sensação de culto ou de propaganda, do nós (que confiamos e sabemos) vs. eles (os que tem medo, os que dizem não, que desconfiam). e esses extremos me causam um mal estar profundo.

ainda consigo colocar em perspectiva o propósito de estar vivendo isso agora: creio que para ter uma noção mais clara do que é verdade & verdadeiro pra mim, de como tomar uma posição contrária a de uma pessoa com muito mais experiência de vida do que eu. e, portanto, de seguir minha própria jornada.

let that shit die and find out the new goal

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