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tem uma poeta aqui em curitiba que faz pichações urbanas. já vi naquelas madeiras pra proteger obra, já vi em muros, já vi em banheiro de bar. tem uma que eu vejo todo dia no caminho pro trabalho. no geral, acho bem brega – mas só porque é brega não quer dizer que não acesse algo na gente e tampouco que ser brega é ruim. tem uma ou outra que me encanta. acho lindo o esforço e também acho ótimo ter o que ler enquanto ando na rua.

mas tudo isso só pra dizer que faz um tempo que venho pensando na poesia. em como ela é difícil de fazer, e ainda mais difícil de se considerar “boa” ou finalizada. e também na relação complicada que tenho com ela.

quando eu era mais nova, não me interessava muito. eu achava bobo isso de rima, achava também muito sentimental. quando eu faço rima, realmente ainda acho bobo, mas o ser sentimental eu venho tentando suportar – ou não ridicularizar. a poesia começou a ser essencial pra mim quando eu li a poesia em prosa. eu fiquei encantada demais.

me parece uma conversa que oculta certas coisas pra que te permita sentir profundamente. e também tem algo de te contar intimidades de forma aleatória. é como se você completasse os versos a partir do que eles te provocam. eu não sinto isso com a poesia em verso, sinto outras coisas que não cabem aqui agora.

a primeira obra que eu li de poesia em prosa foi By Grand Central Station I Sat Down and Weptconfesso que fui atrás só por causa desse título; e até hoje acho um dos melhores títulos da literatura. eu raramente leio resenha de poesia – não acredito muito nelas. só de passar uma olhada nos comentários do goodreads desse livro eu vejo que estou certa.

o livro foi escrito sobre/inspirado por um relacionamento da autora com um homem casado, e na impossibilidade deles ficarem juntos. uma pessoa lá comentou “girl, he’s not worth it”. talvez. e talvez eu esteja lendo demais num simples comentário da internet, mas por deus, a gente escreve poesia pra gente. pra ressignificar. pra entender. pra não morrer. escreve por que não cabe mais aqui dentro – não tem onde por.

cafona

pode ser antes ou depois, mas quase todos os poemas que eu escrevo incluem um comentário que é tipo um pedido de desculpa pro universo ou uma justificativa pra se um dia alguém ler, e em geral é tipo “segue mais algumas linhas cafonas”. me perguntaram por que eu faço isso, que não precisa e tal. e acho que tem a ver com se menosprezar mesmo. e taí algo que eu preciso trabalhar mais pra fazer menos.

também preciso aceitar mais o cafona, o brega, o sentimental. “você vai fazer o que se a sua alma for realmente cafona?”, me perguntaram. aceitar, né? e continuar a escrever linhas cafonas. “e se, ao parar de criticar o cafona, cada vez mais coisas surjam, cafonas ou não?”, completaram. talvez seja isso.

aí fui reler umas coisas que tinha marcado como favoritas do livro da Elizabeth Smart praticamente dois anos atrás:

Take everything I have, or could have, or anything the world could offer, I am still empress of a new-found land, that neither Columbus nor Cortez could have equaled, even in their instigating dream. Set me as a seal upon thine heart, as a seal upon thine arm, for love is strong as death.

às vezes leio e acho cafona. mas mesmo nas vezes que acho cafona ainda admiro. e ainda ecoa. sempre vai ecoar. por isso não dá pra parar de escrever. só me resta saber se escrevo pra me justificar, porque às vezes é o que parece. e ontem mesmo pensei que se eu parar de me justificar pros outros ou me medir de acordo com o que os outros vão achar ou já fizeram, talvez fique mais leve. aí reside a liberdade.

Uma vez eu tive uma ilusão E não soube o que fazer
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