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ontem fui almoçar com algumas outras pessoas do trabalho. na fila do caixa, uma delas me mostra uma folha colada na parede. queria ter tirado foto pra colocar aqui, mas eu sempre fico com vergonha de tirar foto (mais sobre isso em outro post). o cartaz dizia: “você viu ou pegou sem querer esta sombrinha?”. aí tinha a foto da sombrinha, preta e com bordados. e embaixo: “a sombrinha é cara pelo valor afetivo”. a minha reação na hora foi: “caramba, que legal”. não a perda da sombrinha, mas a busca por ela. e achei o máximo a coisa do valor afetivo? me identifiquei na hora.

o restante do grupo e também a dona do restaurante discordavam. começaram um discurso, que não foi longo em minutos mas em sensação temporal, de que as pessoas são muito apegadas ao material hoje em dia etc etc etc. e assim. é verdade, talvez a gente (população em geral) seja mesmo. mas eu não consegui não me colocar no lugar da pessoa.

e ainda fiquei pensando que ela até mesmo “justificou” a busca da sombrinha. por quê? seria pelo fato de que queria conectar com outra pessoa a questão do “valor afetivo” ou achou que era necessário colocar aquilo para ser levada a sério? eu me conectei com a história dela. eu queria falar pra quem tava ali que poderia ser algo feito pela vó ou dado por alguém que a pessoa amou um dia e o quanto essas coisas marcam a gente, mas não falei. só disse que eu, por exemplo, tenho uma camisa do meu irmão que eu nunca vou me desfazer. algumas pessoas não levaram a sério a busca dela.

aí eu me lembrei do texto que postei aqui esses dias sobre os guarda-chuvas. mas me veio outra coisa, que no dia daquele texto eu não conectei. como eu não carrego guarda-chuva, se começa uma chuva torrencial, às vezes me dá vontade de pegar o guarda-chuva de outra pessoa e sair. não é certo, é claro. e uma vez eu fiz isso. parei numa loja que tinha um porta guarda-chuva (?), fingi que olhei qualquer coisa, peguei uma sombrinha de outra pessoa e fui embora. e sei lá, depois desse cartaz nunca mais.

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ontem eu também tinha marcado de fazer duas tatuagens. a tatuadora não foi. simples assim. se esqueceu de agendar, disse. e aí por uma hora mais ou menos eu e uma amiga que me acompanhou ficamos botando pra fora a raiva, falando da falta de consideração e tal. e foi engraçado porque ela tava mais indignada que eu. ou verbalizou muito mais, talvez seja isso. falou que ia reclamar no facebook e tudo. e eu disse: “olha, eu só vou mandar a real pra mulher mesmo sabe? fora isso talvez interpretando tudo como sinal de não tomar qualquer decisão até a porra desse ano acabar”. e falei tudo pra mulher, o que já é um avanço também, em meus termos de expressar os sentimentos.

aí fui pra casa dela, tomamos umas cervejas, conversamos, rimos. ela trabalhando e eu vendo dvd da céu, de boas. de repente me veio esse pensamento de que o que rolou com a tatuadora é algo que eu sempre temo quando marco um compromisso com alguém. que a pessoa vai me esquecer. eu sei que em 99% dos casos o outro só tem um compromisso antes, o trânsito etc etc. não é algo direto pra mim, não é sobre mim. mas eu sempre fico nessa do “que sinal eu mando pra essas pessoas de que é possível fazer isso comigo?”. e, bem, ainda tô refletindo sobre isso. acho que desde que comecei a terapia.

e uma vez eu falei isso com a minha terapeuta: “parece que eu tô sempre esperando os outros” e ela respondeu que “vai ver as pessoas que estão te encontrando precisam que alguém esperem por elas”. e aí tudo se equilibra? talvez, mas não deixa de me irritar um pouco. não tem nada a ver com a tatuadora, porque nesse caso foi total falta de organização e respeito mesmo, eu sei diferenciar. mas me veio isso, do ser esquecida. e que se fosse uma outra época eu ia ficar completamente abalada por isso, crise de choro e tudo mais. mas resolvi tomar uma cerveja e cantar céu e deixar as coisas rolarem e o tempo passar. e tá tudo bem, mesmo.

Every memory, it’s me who makes the peace in me
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