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eu terminei de ler “exames de empatia” recentemente. é sem dúvida um dos melhores que li esse ano. aí no sábado eu estava relendo o posfácio, que tem esse trecho aqui (perdoem a luz verde, é do meu querido abajur de caracol):

posfacio1

e então eu compreendi um pouco mais os motivos dos ensaios confessionais serem desconsiderados – os argumentos de: emocional demais, desnecessário, etc. e não é coincidência ser também um dos gêneros de escrita em que as mulheres mais se destacam. talvez mais importante foi que me dei conta de que esse tipo de texto literário foi o motivo de eu ter escolhido jornalismo como formação. se realmente aprendi, é uma outra questão.

de fato, ao relembrar dos quatro anos que passei na universidade, considero aquilo mais como ensino médio do que qualquer outra coisa. não só na imaturidade emocional de todos (eu inclusa, professores também), mas na completa ausência de ligar o teórico ao prático. saí de lá sem a noção mínima de como funcionava uma redação – e talvez todos saiam dessa forma. devo perdoar e esquecer, então?

mais especificamente na produção textual, havia uma insistência pedante de que soubéssemos, primeiramente, fazer o arroz com feijão (leia-se um lide decente e um título sem o verbo ‘ser’) pra depois passarmos pra outros estilos literários. eu entendo o argumento, mas ainda acho meio raso. porque quando a gente passa do arroz com feijão, repetido ad nauseam nos dois primeiros anos, já chegamos estafados pra parte que exige criatividade. já não sabemos mais pensar fora da caixa, quiçá entender o que é esperado de nós para além dela.

uma coisa que me marcou pra caramba foi no terceiro ano do curso, quando estávamos aprendendo o jornalismo opinativo – talvez o mais próximo dos ensaios em todo o currículo. minha professora era muito incompetente e não demonstrava interesse nem no tema nem nos nossos textos. nossas aulas consistiam em olhar portais de notícia e escrever textos opinativos baseado em alguma manchete. eu escolhi falar do aborto.

eu não me lembro se era um texto bem escrito em termos de opinião – eu provavelmente mais citei blogs feministas que eu lia na época do que realmente argumentei algo por conta própria. mas eu sabia que estava embasado na teoria feminista que estava começando a entender. a professora deu a nota mínima, não fez nenhum comentário sobre coesão textual ou mesmo argumentativa. ela não justificou aquela nota, apenas ficava repetindo que “esse é um tema polêmico”. e assim caminha a humanidade etc.

ainda sobre “exames de empatia”, esse trecho aqui que me fortalece toda vez que eu penso “quem diabos lê o meu blog e quem se importa com o que eu tenho a dizer?”:

examesdeempatia1

e ela continua (não achei esse trecho online traduzido):

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dá pra ler tudo na íntegra em inglês e eu recomendo com todas as minhas forças.

seguimos sangrando, então.

I guess this means we can’t be friends
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