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nighthawks

tem uma lembrança bastante vívida de quando eu estava no ensino fundamental que é visitar a biblioteca da escola. apesar de gostar de ler desde muito pequena, nesse período eu não tinha muita paciência pra livros grandes e, tampouco, sem ilustrações. eu lia livrinhos de coleções infanto-juvenis que não me marcaram muito, mas lia muitos gibis. era o meu passatempo favorito.

lá na biblioteca, entretanto, a minha memória não é de ler gibis. eu geralmente folheava aqueles livros enormes de arte da taschen e sonhava com uma mesa de centro num apartamento espaçoso em que eu moraria sozinha e teria várias coleções desses livros (esse sonho continua, sendo realizado em partes).

tinha alguns que eu folheava só pra me indignar e dizer: “mas isso é arte?” – um que sempre me indignava era o alfredo volpi, às vezes ainda me indigna. também lembro de ver obras do pollock e não achar nada de mais, hoje acho lindo. lembrei disso quando, ao visitar uma amiga em joinville, passei por um prédio que reproduzia uma pintura do mondrian – outro com quem tive dificuldade de aceitar que era arte na época.

hoje olho com outros olhos esse meu questionamento – acho necessário. quando criança eu odiava a arte abstrata (achava que não tinha sentido – risos) e também me entediavam as pinturas renascentistas (achava tudo religioso ou físico/anatômico demais). eu gostava dos impressionistas (e até hoje, acho que são meus favoritos), dos realistas e dos modernistas.

mesmo já tendo visto uma ou outra obra do Edward Hopper, eu só fui pesquisar mais sobre ele mesmo quando comecei a ver Mad Men. era frequente a referência do pintor nas reviews da série – e eu fui entendendo o porquê. depois eu vi uma arte que trazia as personagens de Carol no estilo dele e achei tão massa. também influenciou o filme e, quando você começa a notar, os paralelos não param de aparecer. o que eu mais gosto é isso: ver adaptações que me levam aos originais, referências atuais que me fazem voltar no tempo.

por causa da influência do Hopper em duas coisas tão marcantes na minha vida, a série e o filme, o livro dele da taschen foi o primeiro que comprei. hoje mesmo. mas é claro que eu também quero esse poster aí em cima inspirado na obra dele que tem a Carol. desde que eu assisti o filme, tenho buscado alguma coisa (pôster, arte) que eu possa colocar no meu quarto e achei tão linda essa reprodução.

There’s no such thing as illusion
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