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resume aí seu 2016 em uma música? eu não preciso nem de 30 segundos pra lembrar da minha:

each autumn leaf and passing breath
each antidote to sudden death
and there we are
and who’d’ve guessed
that there it is, just like that
forgive me

sorry i’m crying in public this way
i’m falling for you, i’m falling for you
i’m sorry I’m causing a scene on the train
i’m falling for you, i’m falling for you

love will be the bridge
over the sand
love will be the key
from hand to hand

foi o ano que mais chorei em público. no aeroporto, no avião, no ônibus (municipal e interestadual), na rodoviária, no táxi, no trabalho, durante a aula, em restaurantes, caminhando, no elevador do trabalho.

ainda tenho que parar pra entender essa necessidade minha em falar de 2016 como se ele já tivesse acabado. talvez seja a vontade de que ele acabe logo – e nisso eu lembro da pergunta da minha terapeuta: “e quando o ano acaba, muda o quê?”. não é mesmo? é que eu sempre gostei demais do réveillon, do simbólico, do rito de passagem. vai ver é isso.

mas algumas coisas que 2016 me trouxe eu preciso listar pra lembrar. talvez eu só vá compreender daqui uns anos. talvez até esse verbo esteja além da proposta. eu e essa minha mania de querer dar sentido pra todo acontecimento. minha virtude (esclarecer, organizar, entender, comunicar) e minha ruína (tentar antecipar, criar expectativa, achar que tudo vai seguir essa mágica linha do tempo, acreditar que todos prezam por isso).

tem mais umas músicas aí que me acompanharam, trechinhos que casam com os momentos em questão:

just because you’re right doesn’t mean i am wrong:

acho que nunca antes eu vivi tanto essa coisa do “ninguém tá errado, a gente só quer coisas diferentes”. foi por isso que me afastei de algumas amizades – percebi que as prioridades eram muito discrepantes. e apesar de ainda interagir com algumas dessas pessoas e tal, tenho me cobrado menos por ter percebido que os caminhos não se cruzam mais. e tá tudo certo. nem tudo a gente precisa insistir pra consertar, ainda mais se a gente sente que não dá.

talvez essa mesma coisa tenha aparecido em outras relações também. ver o que meus pais esperam de mim mais como algo que eles tem que resolver sozinhos (expectativas que eles criaram pra mim e precisam se dar conta de que não vai rolar) em vez de ver como uma missão dada por eles que eu preciso cumprir, por respeito ou pra ser amada ou agradar.

acho que essa frase em especial é pra eu lembrar que é possível discordar e não ser um grande drama.

live through this, and you won’t look back:

foi o ano mais desesperador. uma vontade de me abandonar o tempo todo. de querer sair correndo, de sumir, de desaparecer, de olhar pra fora em vez de pra dentro, de não querer enxergar os problemas, de só querer um tempinho de paz de espírito sem gente me pedindo coisas. respirar parece um incômodo. comer é um fardo. parece que estou existindo do jeito errado, ninguém me mandou o manual. inadequação, lembra?

e é exatamente nesses momentos que a gente suporta, que lê qualquer coisa que valorize o sentir (por deus como senti esse ano coisas que nunca tinha sentido). se antes eu apenas recriminava e negava a raiva, 2016 foi o ano que eu senti o gostinho desse sentimento – posso não botar pra fora ainda, mas consigo identificar, consigo nomear. e, creio, estou a um passo de conseguir expressá-la, quem sabe até de acolhê-la como uma amiga.

you must be from outer space, maybe from somewhere beyond the stars

pode estar doendo muito agora, mas o que eu vivi naquela última semana de março foi maravilhoso e memorável. fica ecoando ainda, como colocar uma concha do mar no ouvido e ouvir também a batida do coração, o meu e o dela. um sentir puro e primal. me remete a algo que talvez eu já tenha vivido em outra vida, que esperei séculos pra viver de novo. e esperaria novamente.

claro que têm tristeza/melancolia (sempre elas) das condições em que isso aconteceu; da impossibilidade das coisas, do apego, da vontade, do desejo, da saudade. me dei conta da minha necessidade de tratar os acontecimentos com muita devoção. e que preciso honrar os sentimentos, ainda que o contato com a pessoa não aconteça mais. pelo menos não diretamente – porque eu sinto esse contato o tempo todo. minha amiga falou: “às vezes a gente ama o outro, mas o amor só fica com a gente. tem outra coisa que impede de expandir.”

em parte é isso. a velha questão de onde colocar tudo isso que pulsa aqui dentro, que não deu pra expandir. a conexão com o outro é tão rara, tão especial. a gente só sente e sabe. fico emocionada lembrando. por enquanto, é como estou lidando e sobrevivendo: me perdendo na presença da ausência.

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