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na última semana, acredito que sonhei duas vezes com meu animus – ou seja, meu lado masculino. claro. não tenho certeza. mas também tenho trabalhado a confiar mais na minha intuição.

sei pouco sobre o conceito. aí eu fui pesquisar superficialmente. e já me arrepiei, pois:

“Jung stated that there are four parallel levels of animus development in a woman.

1) Man of mere physical power
The animus “first appears as a personification of mere physical power – for instance as an athletic champion or muscle man, such as ‘the fictional jungle hero Tarzan'”.

e esse cara que apareceu nos meus sonhos?
é um homem gordo, enorme, forte.

não é nenhuma novidade que meu lado masculino é pouco desenvolvido. o masculino, seja no homem ou na mulher, representa a ação. e também a agressividade. ambas as características são difíceis pra mim. o que também explica alguns relacionamentos que tive – a gente busca no outro aquilo que desenvolve pouco em si mesmo (pelo menos em partes). só que o que o outro apresenta (e que nos interessa) nunca vem filtrado, limpo – pois o outro também tem suas questões a serem lidadas. então, no meu caso, a ação do outro é uma que assusta – ou uma agressividade que me machuca horrores. basicamente, o lado masculino do outro pode me atrair, mas a coisa não dura porque não é o ideal que eu busco. e o ideal que a gente busca está dentro da gente mesmo (claro). e precisa ser desenvolvido individualmente.

e como meu lado feminino é mais desenvolvido, lá estou eu me derramando em conversas e sentimentos para um outro que não quer saber de nada disso. que não tem facilidade em falar sobre sentimentos, que pode inclusive se irritar com isso. ou com a minha passividade. aquela máxima dos opostos se atraem e que tá todo mundo cansado de saber. não acho que se aplique em 100%, mas faz algum sentido quando pensamos que estamos sempre buscando a compensação e o equilíbrio, mesmo dentro de ações e comportamentos pouco saudáveis. não gosto de aplicar chavões como regra, ainda mais em algo tão complexo como o relacionamento humano – mas que há um fundo de verdade, não nego.

“Visto esta imagem ser inconsciente, será sempre projetada, inconscientemente, na pessoa amada; ela constitui uma das razões importantes para a atração passional ou para a repulsa”.

[JUNG, Carl Gustav. O desenvolvimento da personalidade. Petrópolis: Vozes, 2009.]

o que me assusta nessa nova fase que acredito estar dando início é o fato de que após 25 anos renegando esse meu lado, a hora que eu entrar em contato de fato com isso, será um choque assustador. é claro que tenho medo. são aspectos meus que não conheço, que não sei se quero conhecer, que não tenho a mínima ideia de seu impacto sobre mim. não me sinto preparada – mas acho que esse é o primeiro pensamento que passa pela minha cabeça antes de dar início a qualquer coisa.

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