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Quando os símbolos são vivenciáveis num processo terapêutico, temos a experiência de nos sentir mais vivos, mais emocionais. Há a confrontação entre o inconsciente e o consciente.

No símbolo, tornam-se visíveis não só nossas dificuldades atuais e específicas, mas também nossas especiais possibilidades de vida e desenvolvimento; nas dificuldades também se encontram possibilidades de desenvolvimento.

Os símbolos deixam isso claro, pois também exprimem inibições da vida, frequentemente em conexão com lembranças que eram reprimidas e agora são evocadas por eles. Ao mesmo tempo, no entanto, também abordam um tema de vida que aponta para o futuro. O símbolo, como foco do desenvolvimento psíquico, por assim dizer, é portador do desenvolvimento criativo num processo terapêutico. Portanto, o processo de individuação pode tornar-se vivenciável e visível no símbolo.

Jung formulou isso num ensaio de 1929: “O efeito que busco é produzir um estato psíquico em que meu paciente começa a experimentar com sua própria natureza, onde nada está eternamente dado e irremediavelmente petrificado, um estado de fluidez, de mudança e vir-a-ser”.

Esse objetivo terapêutico utópico mostra o que deve ser o objetivo da terapia: as pessoas não são mais fixas, tornam-se flexíveis, aprendem a aceitar muitas influências possíveis em sua vida. Penso que, como concepção ideal, o objetivo terapêutico formulado por Jung continua bastante estimulante. Mas outro objetivo terapêutico igualmente essencial poderia ser aprender a lidar com “épocas de seca”, suportar estagnações até o ponto em que realmente nasça algo novo, tolerar tensões sem promessa de sucesso.

A formução otimista do objetivo terapêutico de Jung deve ser explicada pela euforia inicial do pioneiro. Hoje nos tornamos mais concretos, talvez também mais modestos. Mas nosso objetivo terapêutico continua sendo o de lidar criativamente com a vida, de estar a caminho, mas também de poder lidar com períodos de estagnação. E, sobretudo, poder aceitar a si mesmo como pessoa em transformação, com todos os ângulos e arestas que temos e nos constituem. O objetivo também seria – o que já está constituido na definição de Jung – assumir o risco de ser si mesmo. Fromm formula isso de maneira bem mais drástica ao dizer: “Há pessoas que ainda não nasceram, e é preciso nascer antes de morrer”. Segundo Fromm, nascemos por meio da criatividade.

Verena Kast – A Dinâmica dos Símbolos: Fundamentos da Psicoterapia Jungiana (Vozes, 2013 – pgs. 42-43)

listening while typing: Supercordas – Mumbai + Leo Cavalcanti – Inversão do Mal

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