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no fundo eu te espero em outra vida
também não vejo outra saída
e já nem é a primeira vez
cê sabe eu já te conhecia

eu sei que vou chorar também
da falta bruta que me faz
me vi descer na contramão
de um jeito que não quero mais

travei
parei com tudo por aqui
não vou andar, não vou sair
a sua chave eu deixo aí
ou será que você vem buscar?

Tiê – Isqueiro Azul, do disco Esmeraldas.

essa foi a primeira canção que ouvi do disco novo. tem um quê de arrependimento misturado com indecisão então virginianos de plantão irão se identificar. comentários na vibe twitter sobre as outras faixas:

  • gold fish: leve, como se esperava de uma introdução da tiê. tenho ressalvas com artistas brasileiros que cantam em inglês (alô, mallu magalhães), mas de alguma forma sempre acabo perdoando a tiê.
  • par de ases: gostei do baixo e do “nem sempre a gente acerta em tudo” que logo abre a canção para algo menos melancólico e “se você me pedir eu mudo”, porque é só o que a gente quer de todo mundo.
  • máquina de lavar: “me dá vontade do momento do elevador” apenas. e toda a estrofe seguinte. tá de parabéns, ein Tiê? sim, sim, sim, sim, eu quero mais. simples, mas não simplista. provavelmente vai acabar no repeat do itunes.
  • urso: minha relação com ursos fez com que minha expectativa durante a primeira audição dessa música fosse muito alta. sugiro hibernar, como a música sugere, e deixar esta canção de molho por um tempo pra ver se volto a me impressionar.
  • mínimo maravilhoso: taí uma expressão que eu já devo ter dito em algum momento da minha vida porque curto criar essas categorias de medição pra sentimentos. e gostei de: tanta coisa boa pra aprender/sobre os deuses, os astros e o ar/amar sem temer
  • esmeraldas: não achei uma faixa tão forte pra dar nome ao álbum (mas também é a que tem título mais sugestivo para tal fim). se tem algo que sempre permeou o trabalho da tiê desde seu Sweet Jardim é essa relação com a natureza e a liberdade, então por mais que no mínimo não tão maravilhoso, está casando com esse ritmo.
  • isqueiro azul: vou só adicionar que, confome a própria cantora afirma, essa é a faixa que mais se parece com suas primeiras canções do álbum de 2009 – que me encantou com faixas como Chá Verde, Assinado Eu, Dois, Passarinho e Quinto Andar (possivelmente meu top 5 oficial daquele disco)
  • depois de um dia de sonho: não é particularmente inovadora e permanece na mesma cadência durante toda a música, mas a letra me chamou a atenção por sutilezas de quem se importa com os detalhes na relação que nem sempre são reconhecidos pelo outro.
  • vou atrás: que tem essa parte aqui que eu nem sei o que dizer: se você for, eu vou atrás/só não vá pra algum lugar/onde a ansiedade possa te prender/traz seu ombro e encosta aqui/que é pra eu calcular o seu desistir. mas quem nunca, não é mesmo minha gente? dá um abraço, tiê.
  • a noite: achei de uma sensibilidade extrema. é uma versão da Arisa, percebe-se o cuidado da tiê em cantar algo de outra pessoa – uma adaptação bem feita. toda letra fez sentido pra mim.
  • meia hora: achei uma canção meio esquecível. daquelas que tocam em entrada de casamento, você pensa “que batida legal” e depois segue em frente.
  • all around you: com participação do david byrne (falando em português inclusive). tem uma vibezinha stalker meio adorável – o que em momentos mais sanos vejo que se torna problemática. mas termina esperançosa, né? na minha vida/catalogada/podem até me dar um search e coisa e tal/mas ninguém sabe do que eu sinto/ninguém sabe do que eu sinto.

no final das contas, ninguém sabe mesmo.

top 5 final: máquina de lavar / isqueiro azul / vou atrás / a noite / all around you (talvez mais pra frente tiraria uma dessas e incluiria mínimo maravilhoso).

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