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o alarme tocou. desligou, sem abrir os olhos, sem se movimentar, sem sair do lugar. suspirou. espreguiçou-se. não fazia sentido levantar: não tinha pra onde ir. eram três e dezessete da manhã e boa parte do seu corpo continuava dormindo. abriu os olhos e pegou a caneta e o bloquinho no criado mudo ao lado da cama. não importava quantas vezes tinha se convencido de descrever seus sonhos, os completos ou os interrompidos pelo horário aleatório do despertador, não conseguia. resolveu inventar.

ontem, o som insurdecedor a tinha acordado às cinco em ponto. tinha começado uma história sobre uma menina com a habilidade de conversar com árvores. desistiu na segunda página com uma sensação de déjà vu. tudo já tinha sido dito anteriormente. e mesmo assim continuava com a vontade de dizer por conta própria. um processo cansativo e angustiante, sem dúvida, por um simples motivo: ainda não tinha encontrado sua voz.

ao som de: Tegan and Sara – Like O, Like h

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